As mulheres são o público-alvo dos principais problemas que afetam a tireoide. Para cada dez diagnosticadas com hipotireoidismo, apenas um homem tem a doença. Não há consenso sobre o porquê dessa predominância no sexo feminino, mas sabe-se que a incidência de problemas na tireoide cresce à medida que você passa dos 30 anos, devido às oscilações hormonais. As causas muitas vezes têm origem genética, mas é bom saber que o estilo de vida e a alimentação têm papéis cada vez mais importantes nessa história.
A tireoide fica no pescoço, logo abaixo do pomo-de-adão, que costuma ser mais saliente nos homens. É ela que regula o fornecimento de energia para que seu corpo não pare. A tireoide produz os hormônios T3 (triidotironina) e T4 (tiroxina), que controlam a atividade dos órgãos vitais e interferem no peso, no ciclo menstrual, no raciocínio, no trabalho do intestino e na força muscular. Ganhar peso por causa da tireoide pode acontecer, mas nem sempre. A glândula é regida pela hipófise, que secreta hormônios para todo o organismo. Um deles é o TSH, que estimula a tireoide a produzir T3 e T4. Então, as vezes o problema pode estar em outra glândula.
Quando a tireóide fabrica esses hormônios em quantidade insuficiente, ocorre o hipotireoidismo, que deixa o corpo mais lento, como se trabalhasse com menos energia: o cansaço aumenta, os músculos ficam mais sensíveis, as unhas fracas e a concentração difícil. O metabolismo também desacelera, daí a dificuldade de perder peso. Mas os médicos afirmam que o hipotireoidismo não justifica mais do que 5% dos casos de pacientes que procuram um endocrinologista por causa de sobrepeso.
É comum confundir os sintomas dessa disfunção com reflexos do nosso estilo de vida. É aí que mora o perigo: com isso, muita gente deixa de procurar o médico, achando que os sinais vão passar, e adia a solução de um possível problema. Conheça as características mais comuns do hipotireoidismo e cheque se apresenta alguma delas. Se marcar mais de três, procure seu médico e peça um exame de dosagem de TSH.
· Sensação de cansaço e fraqueza
· Desânimo
· Dificuldade de concentração e falhas de memória
· Cãimbras frequentes
· Unhas fracas
· Queda de cabelo
· Pele ressecada
· Irregularidades no ciclo menstrual
· Sensibilidade exagerada ao frio
· Ganho de até 5 quilos (sem ter mudado seus hábitos)
Quando há superprodução de hormônios por causa da função aumentada da tireoide, acontece o contrário: o hipertireoidismo, que, no entanto, é bem menos comum - entre as mulheres, cerca de 3% têm a doença. Nele, os sintomas são opostos: taquicardia, insônia, fome e suor excessivos, perda de peso e desarranjo intestinal, por exemplo.
Ficar de olho na alimentação é uma das melhores estratégias para manter a tireoide sob controle e prevenir problemas. O consumo adequado de iodo e selênio são fundamentais para o bom funcionamento da tireoide pois esses minerais são matéria-prima para a produção dos hormônios tireoidianos. A deficiência deles no dia a dia pode favorecer a desaceleração da glândula.
Só para lembrar o iodo está em algas e nos frutos do mar. E o selênio é encontrado principalmente na castanha-do-pará, mas também está nas nozes, nos cogumelos e nos grãos integrais.
Por outro lado, alguns hábitos alimentares de hoje são verdadeiros inimigos. Excesso de sal, açúcar, gorduras saturadas e alimentos refinados e industrializados afetam a tireoide e prejudicam a fabricação dos hormônios.
Uma dica importante para proteger essa glândula tão poderosa: nunca pular o café da manhã, pois no começo do dia, ocorre um pico na produção de cortisol, hormônio que lesiona a tireoide. Incluir carboidratos integrais na primeira refeição é uma forma de controlar os níveis de cortisol no organismo e evitar que ele faça estragos.